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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O machismo brasileiro contado em conto


A mulher que virou pó de pedreiro

Que tarde ensolarada, eu aqui de pé com as minhas mãos cheia de cimento,  levei  minha makita consertar (mulheres é instrumento de corte usado na construção), uma solteirona com meus problemas casuais e com vontade louca para bailar, dançar até sabe lá.

Chegando à loja com o meu dog castrado, folgado, que deitou bem no meio da loja, nisto chegaram muitas gente para ser atendido, o proprietário detectou a solução e me deixou vendo a lua e  peguei  os apetrechos para eu mesmo arrumar dita, não me contive e  dei uma de Tonhão e feito como um sabiá, sem ninho arrumei a tal com as ferramentas,  enrolei os fiozinhos da makita, com as ferramentas que estava dando sopa concertei eu  mesma, assim, ao invés de ficar parada como um pastel. Eu mesmo desenrolei o assunto, mesmo radicalmente sendo uma solteirona com  varias indagações sobre o mundo dos homens.

Ai , vendo que eu sendo o meu próprio Tonhão lá estava eu.

Eu olhando cachorro e ele me olhando, o olhar de “oie nóis travêis”, mexe cá, mexe lá e chegando gente... De repente, ouvindo um monte de conversa, eu pinicando nas calças ouço  de uma voz gaguejando fino com um palpite sendo interrompida pelo seu Tonhão. Fininho, fininho ficou sua voz,  o homem fez o pedido  e a mulher se calou no seu palpite.

Notei então que, não era só eu de pastel nesta linda tarde,  estava só, sem Tonho, na mesma pastelância  dos tonhões e das tontoínas.

- É  de admirar,  vi você aí mexendo, foi você que fez  bem feito, vem aqui depois para aumentar o cabo, disse  com gracejo o dono da loja.

Consertei sem ajuda do mesmo,  ao me observar, raspejou mais alguns elogios, conclusão peguei meu cachorrão, me dei por conformada, indo para meu carro com o meu pó de cimento na minha roupa pensei:

- Eita vida de Tonhão! Tu  tem mesmo que virar pó de pedreiro no mundo dos tonhões e totonhas.

Este é mais um caso de uma tarde linda que acontece com todas as mulheres como eu que  saí de fininho igual para não descer o barraco social engolindo cimento com pó de sabor de Tonhão.

Vida de uma solteirona é assim, e,  vi que é melhor uma graça do “óia” do meu cachorrão eunuco do que um cachorrão falante. Fui tonhada por todo lado.

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