A mulher que virou pó de pedreiro
Que tarde ensolarada, eu aqui de pé com as
minhas mãos cheia de cimento, levei minha makita consertar
(mulheres é instrumento de corte usado na construção), uma solteirona com meus
problemas casuais e com vontade louca para bailar, dançar até sabe lá.
Chegando à loja com o meu dog castrado,
folgado, que deitou bem no meio da loja, nisto chegaram muitas gente para ser
atendido, o proprietário detectou a solução e me deixou vendo a lua e
peguei os apetrechos para eu mesmo arrumar dita, não me contive e dei
uma de Tonhão e feito como um sabiá, sem ninho arrumei a tal com as
ferramentas, enrolei os fiozinhos da makita, com as ferramentas que
estava dando sopa concertei eu mesma, assim, ao invés de ficar parada
como um pastel. Eu mesmo desenrolei o assunto, mesmo radicalmente sendo uma
solteirona com varias indagações sobre o mundo dos homens.
Ai , vendo que eu sendo o meu próprio
Tonhão lá estava eu.
Eu olhando cachorro e ele me olhando, o
olhar de “oie nóis travêis”, mexe cá, mexe lá e chegando gente... De repente,
ouvindo um monte de conversa, eu pinicando nas calças ouço de uma voz
gaguejando fino com um palpite sendo interrompida pelo seu Tonhão. Fininho,
fininho ficou sua voz, o homem fez o pedido e a mulher se calou no
seu palpite.
Notei então que, não era só eu de pastel
nesta linda tarde, estava só, sem Tonho, na mesma pastelância dos
tonhões e das tontoínas.
- É de admirar, vi você aí
mexendo, foi você que fez bem feito, vem aqui depois para aumentar o
cabo, disse com gracejo o dono da loja.
Consertei sem ajuda do mesmo, ao me observar,
raspejou mais alguns elogios, conclusão peguei meu cachorrão, me dei por
conformada, indo para meu carro com o meu pó de cimento na minha roupa pensei:
- Eita vida de Tonhão! Tu tem mesmo
que virar pó de pedreiro no mundo dos tonhões e totonhas.
Este é mais um caso de uma tarde linda que
acontece com todas as mulheres como eu que saí de fininho igual para não
descer o barraco social engolindo cimento com pó de sabor de Tonhão.
Vida de uma solteirona é assim, e,
vi que é melhor uma graça do “óia” do meu cachorrão eunuco do que um cachorrão
falante. Fui tonhada por todo lado.
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